# Brasil assina governança de IA com a China e vende terras raras aos EUA — no mesmo semestre

Em 16 e 17 de julho de 2026, o Brasil assina em Xangai a fundação da WAICO — organização de governança de inteligência artificial liderada pela China. Vinte e nove países. Rússia, Venezuela, Cuba, Belarus. Estados Unidos fora.

Três meses antes, em 20 de abril, a USA Rare Earth compra 100% da Serra Verde, em Goiás, por US$ 2,8 bilhões. Única operação fora da Ásia capaz de entregar as quatro terras raras magnéticas em escala. Até a venda, 100% da produção ia para a China. Agora prioriza os EUA — inclusive offtake de 15 anos com veículo capitalizado por entidades do governo americano.

Dois movimentos. Duas potências. Zero estratégia nacional coordenada de captura de valor.

Este é o Capítulo 9 da série *O Dragão e a Onça*: o braço diplomático federal. Seis eventos documentados (IDs 1713–1718), de agosto de 2025 a julho de 2026. Quatorze fontes independentes. Evidência confirmada em todos.

## Seis eventos em onze meses

**11 de agosto de 2025.** Haddad e o ministro russo Siluanov assinam o Diálogo Econômico-Financeiro bilateral. No mesmo dia, memorando equivalente com a China. Documentos sem obrigação legal — diretrizes políticas. Coincide com sinalização americana de investigação sobre investimento chinês no agronegócio brasileiro (Intelligence Authorization Act 2026).

**6 de fevereiro de 2026.** Washington articula um “clube” multilateral de minerais críticos. Pequim reage: iniciativas “exclusivas” perturbam a ordem comercial. Dentro do governo brasileiro, debate sobre usar o interesse externo — terras raras, lítio, nióbio, grafite, cobre, níquel — como moeda de troca por industrialização. O PL 2.780/2024, que poderia estruturar isso, segue parado no Senado.

**20 de abril de 2026.** USA Rare Earth (Nasdaq: USAR) adquire Serra Verde — mina Pela Ema, Minaçu/GO. US$ 300 milhões em dinheiro + cerca de 126,8 milhões de ações. Fechamento previsto para o terceiro trimestre de 2026. Fonte primária: 8-K na SEC.

**17–18 de junho de 2026.** G7 fecha acordo de terras raras: dependência de fornecedor único abaixo de 60% até 2030 (ambição: 50%). Estoques estratégicos, diversificação, reciclagem. China defende seus controles de exportação. O Brasil recebe a janela de barganha — sem marco legal nacional em vigor para capturá-la.

**30 de junho de 2026.** Na cúpula do Mercosul, Lula anuncia negociação com o Japão e defende acordo comercial bloco-China. Aporte brasileiro no Focem sobe de US$ 70 mi para US$ 100 mi por ano. Minerais críticos tratados como “questão de segurança nacional” para cadeias regionais com agregação de valor.

**16–17 de julho de 2026.** Fundação da WAICO. Nota conjunta dos ministérios brasileiros (Ciência/Tecnologia, Relações Exteriores, Gestão da Inovação) fala em “acompanhamento dos debates internacionais”. Sem contrapartida concreta identificada. Em paralelo, bloco concorrente liderado pelos EUA (“Pax Silica” + “AI Opportunity Statement”, 35 países).

## Alinhamento assimétrico duplo

A tese do capítulo não é “Brasil escolheu a China” nem “Brasil escolheu os EUA”.

É pior: o Brasil integra o bloco de governança de IA chinês e, no mesmo semestre, observa a transferência do principal ativo de terras raras para controle americano — sem que nenhum dos dois movimentos resulte de política própria de industrialização e transferência de tecnologia.

Nos capítulos estaduais da série (Goiás, Pará, Amazonas, Minas Gerais), o padrão foi batizado de “soberania na conta do governador”: o Executivo estadual fecha contrato; Brasília assina o marco. Aqui a conta cai sobre o Itamaraty e o Executivo federal. Frameworks amplos — memorandos, cúpulas, organizações multilaterais — enquanto o valor concreto do ativo estratégico migra para fora.

> Sem a aprovação e regulamentação do PL 2.780/2024 (Política Nacional de Minerais Críticos, parado no Senado desde 6 de julho de 2026), o Brasil negocia minerais críticos evento a evento, reagindo a agendas de G7, EUA e China.
> — Síntese T-236, série O Dragão e a Onça



## Cinco padrões que se repetem

**P04b — Both-sidesism funcional.** Memorandos e adesões multilaterais de baixo custo permitem alinhamento político simultâneo com blocos rivais, sem compromisso vinculante real. Presente nos IDs 1713, 1714 e 1718.

**P05 — Capital estrangeiro como vetor.** Fluxos (venda Serra Verde, aportes Focem) atravessam o território de decisão nacional sem o Estado brasileiro como parte negociadora ativa na captura de valor.

**P08 — Infraestrutura/plataforma.** Adesão à WAICO integra o Brasil a uma infraestrutura de governança tecnológica definida fora — mesma lógica de dependência de plataforma vista em outros capítulos da série.

**P09 — Captura cultural/tecnológica.** Adesão à governança de IA chinesa, ao lado de regimes autoritários, ocorre sem debate público equivalente ao de outras decisões de política externa.

**P11 — Loop de extração (nível federal).** A disputa EUA-China por minerais críticos e a venda da Serra Verde mostram o Brasil como palco, não protagonista, da reorganização das cadeias estratégicas globais.

## O que ainda não sabemos

Três lacunas abertas:

1. **Posição formal do Itamaraty** sobre o bloco de minerais críticos do G7/EUA — coberturas jornalísticas existem; nota oficial detalhada não foi localizada.
2. **Obrigações concretas da WAICO** — a nota conjunta dos três ministérios não detalha obrigações nem benefícios específicos.
3. **Ponto de inflexão: PL 2.780/2024 no Senado.** Sem votação e regulamentação, não há como verificar se as janelas abertas pelo G7 e pela disputa EUA-China viraram industrialização/transferência de tecnologia — ou só novos contratos de matéria-prima bruta.

A investigação para neste ponto até a votação no Senado.

## Fontes

- [Governo Lula oficializa acordos com Rússia e China](https://www.gazetadopovo.com.br/economia/governo-lula-oficializa-acordos-e-aproxima-brasil-de-russia-e-china/) — Gazeta do Povo
- [EUA articulam “clube” de minerais críticos](https://brazileconomy.com.br/internacional/2026/02/eua-articulam-clube-de-minerais-criticos-e-colocam-terras-raras-do-brasil-no-centro/) — Brazil Economy
- [USA Rare Earth — Definitive Agreement to Acquire Serra Verde (8-K)](https://www.sec.gov/Archives/edgar/data/0001970622/000121390026045339/ea028691001ex99-1.htm) — SEC EDGAR
- [Terras raras: mineradora em Goiás vira negócio bilionário](https://apublica.org/2026/04/terras-raras-mineradora-em-goias-vira-negocio-bilionario/) — Agência Pública
- [G7 fecha acordo de terras raras, irrita China](https://www.cnnbrasil.com.br/infra/g7-fecha-acordo-de-terras-raras-irrita-china-e-brasil-ve-oportunidade/) — CNN Brasil
- [Lula defende acordo do Mercosul com China](https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-06/lula-defende-acordo-do-mercosul-com-china-durante-cupula-do-bloco) — Agência Brasil
- [Brasil assina fundação da WAICO](https://teletime.com.br/16/07/2026/brasil-assina-fundacao-da-waico-iniciativa-da-china-para-governanca-de-ia/) — TELETIME
- [Brasil, China e 27 países criam grupo global de IA](https://www.mobiletime.com.br/noticias/16/07/2026/brasil-china-waico/) — Mobile Time
- [Brasil adere à aliança de IA da China](https://www.gazetadopovo.com.br/republica/brasil-adere-a-alianca-de-ia-da-china-que-reune-paises-autoritarios/) — Gazeta do Povo
- [China lança coalizão de 29 países para disputar regras da IA](https://www.forte.jor.br/2026/07/18/china-lanca-coalizao-de-29-paises-para-disputar-com-os-eua-as-regras-globais-da-inteligencia-artificial/) — Forte.jor.br

*Capítulo 9 (Braço Diplomático) da série O Dragão e a Onça. IDs 1713–1718 · T-236. CC0 1.0 — Domínio Público.*

*Dossiê completo: [https://gosurf.site/dragao-onca-braco-diplomatico](https://gosurf.site/dragao-onca-braco-diplomatico)*



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**Promoção (≤2 posts/dia)**

1. Tweet de abertura: gancho no par WAICO × Serra Verde (US$ 2,8 bi) + CTA específico (“qual dos 6 eventos documentar no próximo capítulo?”) — sem “o que você acha?”
2. **Primeiro reply:** link externo do dossiê `https://gosurf.site/dragao-onca-braco-diplomatico` (+ lawfare-timeline se quiser)
3. Nos primeiros ~30 min: responder replies e reforçar com réplicas próprias

  
